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Fecundidade do grinhão



Neste escrito trata-se outra vez de dar uma outra visão não provincialista sobre as falas galegas; de como aqui se conservam modos antigos, palavras antigas, que a etimologia e os etimologistas por vezes fazem, fam, chegar de fora, com bastantes voltas.
De como aqui há um berço etimológico que não é visto.



http://www.turismo.gal/ficha-recurso?cod_rec=15990







Começo polo grinhão:
Desde uma posição soberana, esta palavra não é uma forma vulgar ou vulgarizada de garanhão, (cavalo de padreação). Grinhão alicerça-se em grinhir, rinchar, e também por sua vez grinhir não é uma forma vulgarizada de grunhir, creio que bem ao contrário: é cognata ou raiz
Grinhir é um verbo velho, onomatopeico, muito mais se o pronunciamos com jeito, com fortição, como o momento obriga: ghrinhir, / ħɾi.'ɲir /.
Este grinhir está à par de gemir e gemer.
É, o grinhão, além do garanhão, a barba, ou um tipo de barba à moda antiga, que era deixar grandes patilhas, e ter o queixo e a zona da boca barbeada.
Está logo o grenhudo aqui.
Tudo isto nascido do nome onomatopeico do macho semental.

Quando desde o francês antigo ''grenon'', se nos explica a palavra grenhão, (um arcaísmo para falarmos das barbas, e daí as grenhas, como cabelos compridos ou desajeitados), pode ser um equivoco.

Não pode, é um equívoco:
A palavra grinhão também é nome da barba no galego.
E no francês antigo "grenon", (barba) tem um sinónimo que é "grignon" ...
Coincidências?, foi de ida para alô, ou veio de alô para acô?

Como o cavalo grinhão tem barba?
Pois sim, os cavalos do monte botam pelo longo na cara, e mesmo alguns cavalos e éguas tem uma peculiaridade que é o bigode, no belfo superior.

Então temos uma palavra: grinhão, raiz, que dá nome ao garanhão, e à barba, com a variante grenhão, que dá todo o campo das grenhas.
Tamém o grinhão está nas crinas.
Grinhão, grenhão, falam bem do cavalo pai, pois é um grenhudo, que ghrinha, que rincha.

O nascimento da palavra garanhão, poderia ter esta gênese, partindo de grinhão, grenhão, granhão, e de granhão: garanhão.

Garanhão dizem que é palavra que veio, veu, do provençal "garanhon",  e este garanhon do frânquico "wrainjo", palavra que dizem dar origem a garrano, o nome da raça dos cavalos do Gerês.
Esta é a linha germânica.
Que na linha céltica: temos o gaélico irlandês "gearron" e gaélico escocês "garron", também grafados "garran".
Pola linha do latim há a palavra garanum, que é raiz de grão e poderia estar no garanhão, como garania, pode estar na raiz de granha, numa ideia de semente, de semental.

Então a origem do garrano e do garanhão é mostrada como latina, céltica ou germânica.
Mas e se for a origem saindo do granhão: garanhão, *garranho: garrano?
E se a fala galega for a raiz do resto dos termos galegos e já não galegos só?

A linha da origem germânica de garrano e garanhão baseia-se na existência das formas do antigo alemão "wrênjo", e no holandês médio "wrêne".
A linha germânica parte de umas raízes proto-indo-europeias como *warjan, (proteger, varja, vargem vagem), *warnjan, *weren (guarir, guarnecer, garantir).
Seguindo com a imagem do garanhão varil e estas raízes proto-indo-europeias: o garanhão é o perrão, o berrão, o varão, o marão, (todas três na gênese fortição-lenição)....
Confronte-se como ainda no galego maranhão é sinônimo de garanhão.
Então a rota p, b, v, m....?
Isto volve-me a fazer pensar como no caso da gênese dos nomes das árvores, na força que a lenição e a fortição tiveram na formação das palavras.
Aqui é lugar para falar, pois, doutro sinônimo nas falas galegas de garanhão que é guarão / guarám.
Guarám sente-se próximo a estas formas proto-indo.europeias do guardar, germânico *warjan, e também ao céltico ''garran", sem esquecer ao garrano e granhão, que estão todos aqui enlaçados.
Então, guarão, como nome do garanhão, é uma raiz viva do proto-indo-europeu?

Há que ter em conta a proximidade de guarám a égua, com um possível passo intermédio: (e)guarám / eguarám*, o cavalo da eguada.

Assim no catalão guarà é o burro usado para cruzar com éguas que engendrem mulos, guarà tem também o nome de eguarà.

Se isto for assim, se guarám for uma palavra velha, velha, o étimo latino equaequus, não seria raiz e sim cognato da égua.
Guarão que o que fai, faz, é guarir, guarecer, gorecer, garir, cuidar do rebanho ou greia, guarantir, garantir a eguada.
Confronte-se com o tocariano-B yakwe "cavalo":
Que quereria dizer isto?
Que de um fonema-ideia-conceito concreto de equídea que guarda, onomatopeico da voz dos cavalos */ikwa/ ou /ixwa/ ficou em nome da égua e indiretamente no guardar?

Gaélico: t-ech, eich, eich, eich, eith, ech, eoch, each, eich, hich, heich, eith, eochu, ech, eochu, eocho, eocha, echu, echa, echaib, eachaibh, eochaiph, ech, eich, echtaitiu, ecthaighe.

Galês: gweryren, gwehyren....




O garanhão é o cavalo que ghia, guia, que segue as vias traçadas por séculos e séculos de rebanhos pascentes.
Assim a voz para arreio do cavalo pola Espanha é gea/gia /hia/.
Cavalo que guia que aparece nalguma lenda, como a da construção de uma gávia de deriva de um rio por uma curva de nivel que foi seguindo o caminhar do cavalo do amo, por toda a parróquia em trabalho numa noite.

Semelha mais doada de entender esta gênese de palavras se o caminho não é de vinda, e sim de ida.
Uma palavra raiz de grinhir, grinhão, onomatopeica, como berrão cavalo macho com crinas grenhudas, anda aqui no fundo.
Na deriva, este grinhão, deu as formas grenhão e granhão.
Granhão gerou a palavra mais conhecida garanhão, também o verbo agranhoar, montar o cavalo à égua, copular, montar-se no cio, acavalar por estro, (por extensão, também nas vacas), com um cognato ou palavra fônica próxima como é agrear.
Agrear com muito significado, pois além de montar e copular, significa arrear, guiar, e excitar. Todas características próprias de um bom faco de agrear.
Sendo pois o faco de agrear, o cavalo garanhão.

O verbo agrear tem também muita força geradora.
Pronunciado com fortição, aghrear, poderia estar como o nome do aturro, ou aturujo: aghrú
Voz usada para agrear, e no aghrear.
Aghru para fazer agir o fato.
Agrear que é feito polo grenhão.

Está força gênica do aghru, e do ghrenhão, que aghrea / arrea, tem presença na interjeição para animar o movimento dos cavalos, para arrear: ghia ou  ghea:
Ghea cavalo!, ghia cavalo!

Com o que libertando-nos de pré-conceitos sobre a gheada, a voz onomatopeica do agrhear em aghru: ghia ou ghea, geram o ghiar ou guiar, guidar.
O pau da guia, o ceptro é no galês: gwial, bretão: gwial, córnico: gwêl

Do mesmo jeito que o rincho "ghriiiihi-hi-hi-hi", cria o ghrinhir, e o ghrinão.
Aghru é berro verbo que aghrupa, que forma grupo ou garupo.

Garupas do grupo que quando vem o lobo, ou a eguada é atacada, criam uma roda de defesa com a poldrada no centro e as ancas dispostas para o couce.

Estamos no alargado neolítico, onde as palavras nascem da onomatopeia do assunto que se trata, e derivam para facilitar o entendimento, para diferençar e diversificar o conceito.

É pois o faco de aghrear, agrear, o que gera.
Não é estranho que quando os gregos contárom  do nome do chefe da manada, impossibilitados de grafar a gheada, escrevessem Gerion para o que geria por aqui a greia ou grei, o grenhão, que agreava, o gerador.
Ghreão que não seria mais que um pegureiro aghreador.
Com isto quero dizer que agrear, greia e grei, semelham mais cognatos, e não derivações, de genus, geno e generare.





Kreoñ (bretão): cabeleira
Krin (bretão): um só pelo
Kreoñ poderia ser considerado que abanea, abala, a etimologia derivativa que obriga a considerar o latim crinis como origem das crinas, kreoñ fai elo entre a crina e a grenha, o que poderia ser indício que era palavra já espalhada antes da Roma.
Atenda-se à dica que pode ser no asturiano quelina, sob a visão do céltico-P e céltico-Q, quelina/clina teria e tem o par esperado: "pelina".
Assim no galego a crina tem estás formas parelhas clim, clina, crim, quilina e quilacha.
Atendendo à mutação da consoante inicial e sob a ideia do céltico-P e céltico-Q: podemos observar que quilina / quilacha, cílio, fiacho, fio (filum) e pelo, têm todas as de serem parentes, o que leva a pensar num étimo origem comum.


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Sobre a faca e o faco, a facaneia, o faquitrus e o faquitrós:
A etimologia da Real Academia Espanhola deriva jaca do castelhano antigo haca, e por sua vez, haca do francês antigo haque, que viria do inglês hack que derivaria dum lugar em Londres onde criavam éguas e cavalos chamado Hackney.
Todos estes nomes, em castelhano: haca, em francês medieval: haque, e em inglês: hack, contrapõem-se com a formas galego-portuguesas e astur-leonesas: faca.
Pois a evolução frequente é o passo de f- inicial a h-
E polo tanto esperaríamos um étimo raiz com efe.
(Não desbotando a possibilidade de que a evolução tivesse sido retrógrada de haca a faca).

Aparentados com este grupo da faca e do faco, noutros idiomas temos:
No abecásio: аҽы (āčə).
No lituano: arklys.
No sânscrito: हय m (haya).
No sueco: fåle, com a forma pålle.
No wymysorys: faod.
No árabe (égua)فَرَس (faras).
No húngaro: kanca.
No latim: equus.

Bem, todas estas palavras pode ser que descendam de um hipotético indo-europeu: h₁éḱwos.
Se interconectamos a época post-glaciar com a expansão do cavalo, e se pensamos que a Ibéria foi refúgio desta espécie...
Esta hipotética raiz terá deixado o seu antecessor por aqui?
A faca, foi de ida ou veu veio de volta?

Faca pode ser a direta ponla desta raiz na sequência de lenição fortição: baca, vaca, faca, (paca), haca.

Como se sabe égua e vaca também noutros idiomas estão muito próximas.

Da forma paca teríamos o fardo de transporte a lombos da faca.
O que leva a pensar que a faca inicial teria algo que ver com transportar?

Outra hipótese seria que faca teria a ver com fraca, mas a etimologia de fraca, semelha começar no latim flacca. Mesmo faca poderia ser a origem de fraca e não à inversa?

E a foca?, virá do grego φώκη?, Será de ida e volta?

Leva isto a pensar que faca, paca, e foca, tem a ver com feminina que transporta, com prenhez.
Tem a ver com fuga?, com furgão, furgoneta?
Farca, fame?
Parca?, onde lemos que fraca e parca confluem...
Temos pois barca, seguindo esta sequência de transporte, confronte-se com a palavra baka, baca, tipo de barco de pesca, ou baca como armação para transporte...
E o inglês e germânicos parentes de to fuck?





Neste campo da sexualidade forte do garanhão, temos o passo de *garanho a caranho, por fortição, caranho que vem sendo o mesmo caralho?
Há proximidade entre caralho e cavalo?
Haveria a possibilidade de uma lenição da palavra caralho para gerar cavalo? Confronte-se o espanhol caballo.




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