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O recado e o recôndito


Arrecadas

Buscando a etimologia e origem da palavra arrecada, fala Maceiras no Facebook:

Arracadas ou arrecadas, de airgead, /a ɾʲ ə ɟ ə d̪ˠ/, ou airgeadach /a ɾʲ ə ɟ ə d̪ˠ ə x/, "de prata", "feito de prata"https://www.teanglann.ie/en/fgb/airgead
O único que podo engadir é que, na miña opinión, "arrecadação", igual que "arrecadar", "arrequecer" e un moi longo etcétera, derivan da palabra gaélica (case mellor galaica) airgead que, ademaís de "prata" significa "cartos", "riqueza" etc. En gaélico irlandés moderno airgeadas significa "ano financeiro", airgeadoir significa "caixeiro", "persoa que cobra"... É unha raíz gaélica / galaica bastante importante. Compre salientar que os maragatos adoitan poñer moitos colgarexos de prata co seu traxe tradicional. A maragatería está na vía da prata e magh airgead, cunha pronuncia moi semellante a *maraged, moi preto das minas máis importantes de Europa antes e despois dos romanos.

Outra palavra gaélica moderna para percebermos o passado disto é ara / earra "bens; mercadorias, produto manufaturado, artigo de comércio; apetrechos, enfeites; vestuário; artigo, coisa”. com a palavra gaélica antiga arrae "pagamento, troca, permuta".

http://nostalgiadelamaragateria.blogspot.com/2013/05/la-boda-maragata.html

Como o eu sou produto da aculturação, tenho que andar aos retalhos, apanhando os restos de algo esbandalhado, para o compreender é-me preciso ir dar a quem tem outras partes do livro.

Assim para percebermos um dos significados das arrecadas imos às Astúrias que entre outros significados tem este específico:
"Brincos longos de mulher casada".
Podendo-se dar o caso de que no antigo, do mesmo modo que o anel no dedo, ou o bigode, um tipo de brinco especial na sua forma, indicassem, as arrecadas, que uma mulher estava casada.

Assim na freguesia de Santa Maria de Portuzelo (Viana do Castelo) a lavradeira vai carregada de alfaias de ouro:
Foto do Pinterest
O traje vermelho ou azul são indistintamente usados pelas raparigas, mas quando casam quase sempre dizem adeus ao vermelho e passam a usar só o azul, quando se querem vestir de lavradeira.
Antigamente quando era divulgado o noivado, e nunca antes para se livrar de humilhação ou falatório se o casamento se desfizesse, a noiva dirigia-se à cidade “botar o ouro”, acompanhada pelos seus futuros sogros. Eram eles que ofereciam aquela que iria ser nora uma designada quantidade de ouro, correspondente às suas possibilidades económicas.
No primeiro domingo após este ritual, a noiva ia à Missa, exibindo o ouro oferecido, e vestindo o traje de lavradeira. Facilmente se detectava uma noiva pelos seus adornos e trajar.

(fonte: http://trajesdeportugal.blogspot.com/2006/08/trajes-do-minho.html)


Isto levou-me ao entrudo de Cobres (Vila Boa):
A moça solteira é pedida para ir à celebração do entrudo por moços célibes uns dias antes, o pai e mãe fam-se de rogar, mas finalmente quando a moça vai para a festa "arrecada" jóias de parentes e vizinhos, para virar madama, que é uma entidade própria deste entrudo que a moça assome.

Foto tirada de http://turismodegalicia.org/info-turismo/fiestas-interes-turistico-en-galicia/carnaval-de-cobres.php
Este ritual era apenas de gentes solteiras para "estabelecerem relações".
O possível casamento por parte da mulher levava consigo a criação ou renovação de uns laços entre familiares ou inter-familiares antigos com um sistema de reciprocidade, (sistema de reciprocidade que até há bem pouco tivo força na economia deste país: rogas, malhas, sextas-feiras....). A quem lhe emprestou joias à tua avó, vás-lhas emprestar tu por essa reciprocidade, por essa amizade ou parentesco, por essa obriga.
Talvez essa "arrecadação", essa ajuda ao estabelecimento dum casal, ficava como obriga num sistema económico sem moeda, mas com mandato de reciprocidade, talvez bem legislado e pautado.

Um sistema básico de reciprocidade está dando nome a uma parte do carro das vacas ao arrecadém / recadém / recavém.
"Última travessa de madeira que une as chedas na traseira do carro" e "segunda junta de vacas ou bois que nas encostas abaixo é ligada na parte posterior do carro para freio; parte posterior do leito do carro".
Nos labores agrícolas comunitários as casas uniam-se de duas em duas mais fortemente nalguns casos.
Nas malhas estabeleciam-se relações de velho onde duas casas estavam mais ligadas, por vezes perdendo-se a razão no tempo.
Em Rio de Onor este sistema de duas casas ligadas por sistema de reciprocidade, perdurou até há pouco.
E no caso do carro, quando num labor agrícola com ele era precisada uma segunda parelha, essa segunda junta era dada "sempre" pola mesma casa, havendo a "obriga", de fazer o mesmo quando for necessário.
Daí que a última travessa do carro, onde era soleada, enganchada, a segunda parelha, leve o nome de recadém, e recadém seja também a parelha auxiliar de vacas ou de bois, recadém é a argola onde são ligadas as solas(1).

Foto de Сергей Груздев - Страница автора на Panoramio.com, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5827797

No saami reahka / riehâ / riâkk,  no finês e língua ingriana reki, no estoniano e outras línguas do grupo finês regi. O que ligaria a ação de recadar ao período nostrático.
Por exemplo no carro de arraste asturiano (ramu, narria, corza, forcau, sarda....) há uma peça com o nome de reyera, que é a travessa que liga as chedas llañuelos. A reyera faz a mesma função e é sinónima do recavém do carro, a última travessa de madeira que une as chedas na traseira do carro.
Relheira, rilheira é o sulco par que está marcado no caminho polas rodas do carro, a talvez posterior rodeira.
Relheira faz pensar na relha do arado, a peça metálica ou dente que abre o sulco, mas o carro ancestral de arrasto também tem relha, na roda do carro a relha:
http://www.docbrown.info/docspics/dublinscenes/dspage02a.htm
Relha é essa barra que liga as cambas e o mil, pode ser metálica ou de madeira. Relha também é um tarugo, um prego de pau que une a relha metálica do arado com a sua base de madeira. Então seria possível perceber que a primária relha não foi o dente metálico do arado, e algo semelhante a uma estaca ou travessa reta, uma régua, latim regula
Então poderia ser percebido o primeiro reinado, a primeira rainha e rei como aqueles que regulavam ou controlavam o mercado?
Confronte-se que o verbo latino rego significa entre outras cousas suportar com o sinónimo que semelha uma metátese gero "carregar".
Então as primeiras relheiras não seriam grafadas na terra com a roda e sim por barones, calces, calzadures ou coceyones do primário carro sem rodas, do rasto ou travois:



«Боярыня Морозова»Boyarina Morozova, de Vasily Surikov



Voltando ao recavém, que esta parte posterior do carro leve este nome (recabém trasmontano) à par de recadém, associa recavar com recadar / arrecadar.
Mas o significado parelho entre recadar e recavar dá-o castelhano recabar:
3. tr. desus. Recoger, recaudar, guardar.

Onde o verbo recaudar, recabar tem o mesmo significado que arrecadar.

Uma recada é um vara de porcos, um grupo de porcos, mas recada semelha nascida de reca ou reco "leitões".
Recada poderia esta na base de recadar como juntar, e no pago matrimonial e outros pagamentos com gando?
Aqui estaria a palavra récua tida por derivada do árabe رَكِبَ (rakiba)?
Confronte-se récua com récova, com recovagem e recoveja, o que faz abalar a ideia de etimologia árabe?
Recoveira leva a pensar no re- como partícula de repetição, mas a recoveira ou o recoveiro é o mesmo que o recadeiro e também com função mercantil. Define recoveiro D. Eladio Rodríguez um aspecto do tal:
Recadero que lleva y trae encargos a caballo o en un carrito de mala muerte.
Recoveiro porque percorria cada "cova", cada lugar?
Recovar é transportar mercadorias dum lugar a outro; mas recovar no castelhano é comerciar comprando e vendendo.

No latim medieval compilado por Ducange recouare é recuperar, recobrar, "adquirir de novo a possessão".
A etimologia de recobrar vai dar ao latim recuperare e reciperare, recipero e recipio como formas variantes de recapio, "volto a capire", volto a colher, volto a assimilar, volto a fazer-me cargo.

A posse antiga e primária, foi analisada no escrito "Covas 1", onde foi visto o lexema do verbo ter ou haver nas falas célticas como *kav:
No galês caffel "ter, haver".
No córnico este haver/ter é kavos (também com o significado de encontrar).
No bretão kaout "haver, ter" e kavout "encontrar, dar com alguém, estar num lugar".
Ou doutro jeito: a cova é um haver, ter, primário, para depois no sistema agrário, a cavadura mudar em propriedade, cavadura que limita.
No proto-céltico *krāu̯o- "cerre, vedação"  estaria aparentado com isto?

Assim nas sortes do monte comunal, uma vez feito o reparto, era deixada uma terra de ninguém suficiente, para quem quigesse cultivar mais terra para o cereal do que o reparto tinha dado equitativamente, a terra para cultura temporária que fosse cavada por essa casa num tempo determinado, dias, pertencia-lhe para essa sementeira.

Então estas personagens que chegaram até o século passado: o recoveiro e a recoveira, *re-kav-eiro podem ser percebidos como antigos cobradores, ou mesmo carteiros, correios do antigo sistema pre-romano?
Pode-se perceber a primária função da recoveira e do recoveiro como "banca real ambulante"?
Recoveiros que eram recadeiros e recobreiros.

Então abre-se outra hipótese para perceber o que poderiam ter sido os lugares de nome caaveiro, como Kav-eiros?

O recobrar e o cobrar:
Nove machados do conjunto original do depósito da Quinta da Fonte Velha/Viatodos, em depósito no Museu D. Diogo de Sousa, em Braga.
Foto tirada do trabalho de Hugo Aluai Sampaio: Achados e depósitos metálicos do Bronze Final na bacia hidrográfica do rio Ave (NW de Portugal). Considerações espaciais.
Pode ser percebido que o cobrar e recobrar vem do cobre?
Assim cobrar é obter o valor da mercadoria ou serviço em cobre.
Os machados de talão em alguns trabalhos é dito que fôram moeda, ou objeto de intercâmbio.

Este objeto de intercâmbio talvez para ser preservado do roubo foi em muitos locais "enterrado", daí que apareçam depósitos de machados de talão?

A economia no tempo antigo além de utilizar o machado de talão como objeto de intercâmbio, polo visto até agora, tinha que ter um complexo sistema de reciprocidade e de intercâmbios, não só intermediado polo cobre, mas também polo ferrado (escolas de ferrado, pagamentos em ferrados / alqueires....) sistema complexo que deveria estar dalgum jeito legislado pormenorizadamente.

Mas a grande economia, quem a geria?

A banca agora é um ente à margem do Estado que cria o dinheiro, a banca é quem governa.
Já na Roma a banca era exercida por pessoas privadas com um controlo do estado.
As oficinas bancárias tinham o nome de taberna agentaria.
Onde o argentum, nome da prata, era nome do dinheiro em moeda.
Mas quem cunhava a moeda era o Estado.
Que foi primeiro o argentum como prata ou o argentum como moeda ou útil de intercâmbio?
O arménio արծաթ (arcatʿ) "prata", pode ajudar um algo, pois poderia relacionar a arrecada e a prata, com a arca.
A arca leva-nos à mámoa, mas também ao lugar onde é acumulada a riqueza, já seja o cereal, ou as castanhas, nozes.... para passar o inverno, ou o metal de intercâmbio guardado.
Arca de uma etimologia que vai dar em *h₂erk- "conter".
Arca, além de ser um caixão, também dá nome à arca do peito, ao tórax, ao costelar, esta arca do peitoo seu conteúdo tem o nome de arraiga, com toda a força etimologica de raiz, rei, reinado.
Aparecendo um parentesco possível da arca e arraiga com as palavras da prata do mundo céltico: arian, ariant no galês; argan, arʒant no antigo cornualhês; archant, argant, no bretão antigo; gaulês: Arganto(magus); celtibérico: arkato(beđom) "mina de prata".
रजत (rajata) "prata" em sânscrito, levaria a uma protoforma sânscrito-armémio-celtibérica: *arrakhata.
Confronte-se com as arras.
Compare-se com o grego antigo ἀρραβών (arrhabṓn)(2) "garantia, penhor, depósito de dinheiro, suborno, dinheiro poupado", no atual grego além destes significados tem o de noivado.

Segundo isto o estabelecimento bancário romano taberna argentaria, antes do que a taberna da prata, poderia ser a taberna da arca.
No tabernaculum estava a arca da aliança
Argentum, *arrakento, *arkento, "da arca"?

Jerusalém, a chousa pecuária envolve o val, cárcova, de Tyropoiōn, Tiropeon "dos queijeiros". Chousa que tem a um lado o lugar religioso, o templo, primária taberna do chefe pastor, chamada por Roma tabernáculo, lugar da arca; e ao outro lado o local de poder, a Torre de Herodes, do mesmo jeito que tantos chousões neste blogue descritos.

A Taberna de Santa Maria de Gondrame (no Páramo). A Taberna está no local pecuário de costume na beira de um chousão a carão da Igreja e do outro lado o Castrinho da Barrosa, repetindo o esquema neste blogue divulgado:



A Taberna em Muniferral (Aranga) perto da Igreja de São Cristovo, numa grande chousa, com Castelos do outro lado.



Na Suméria para evitar o acúmulo de capital, de bens, de dinheiro, cada certo tempo era "feito um reset" do sistema; posto a zero.
Isto leva a pensar que a "recovagem" dos recoveiros, o recobro podia ser um retornar o cobre que tinha sido acumulado, como um imposto, por parte de um poder que o retornava à sua arca e daí à circulação. Fazendo mais estável um modelo social que perdurou milênios?
Esta recovagem, gentes do rei, poderia ser uma casta militar, que ficou pejorada como patuleia, ou os lateroni que mudárom em ladrões, uma vez que Roma entra a governar, e a função do poder próprio começa a ser questionada, já que o Estado Romano assome o controlo?

Segundo este modelo económico que sai da esculca etimológica, a indústria metalúrgica hipoteticamente deveria de estar controlada polo poder militar e religioso.

Voltando ao recadar, (céltico re-*kav-ar, medieval recabdar)  a etimologia latina deriva-os de recapitare, com as formas medievais recabdar ou recabedar, que originariam recadar e no castelhano recaudar / recabar.
No galego medieval está já a palavra cabedal como sinónimo de capital, de dinheiro.
Perceba-se como a raiz etimológica do ter / haver céltico: *kav, explica o caudal espanhol e cabedal.
A confrontar com o catalão recaptar com o mesmo significado financeiro que arrecadar.

O dinheiro e o gando é pensado que aparecem associados na palavra capital, capitalis, que a etimologia latina associa à cabeça de gando, por ser o gando: a fazenda.
Mas confrontado com o lexema do ter/haver céltico *kav e as suas hipotéticas formas peninsulares recavém, recadém, recabedar, recadar, recaudar, recabarcaudal, cabedal:
Capitalis estaria mais próximo a capio do que a caput.

Regatar: competir
É por isto que o regateio na compra, prévio ao domínio ultracapitalista, era norma.
Assim o ditado: a vaca é ouro e o porco tesouro, tem uma maior explicação.

A vacada, é o ganho, o gado seria o ga(nh)ado. Por exemplo no galês e córnico gwartheg / guarthec "gado, vacas" estão compostos de gwerth "valor econômico, preço". Confronte-se com o asturiano cuatrala / cutrala "vaca destinada para o matadoiro".
A vaca transforma-se em dinheiro, em palavras de gandeiro: "há que passar a vaca a quartos".
Já no latim pecūnia "dinheiro" deriva de pecū "gado".

Mas o raro desta etimologia latina, de recapio e família, é que dificulta a associação da arrecadação com a palavra prata céltica, o arkato (celtibérico). Porque suporia um recaptus / recapitus latino a dar um recado / arrecado galaico e à vez o arrecabdo galaico gerar o arkato celtibérico.

Entendo que as linhas tenham sido outras.

Mandar um recado: mandar uma ordem.
Mandar um recadinho: mandar um presente.

Por outra parte o arrecadar na ideia de cuidar de pôr em recato, semelha estar muito perto das palavras germánicas do grupo do verbo inglês to reck com os significados de ter conta de, reparar em, considerar, cuidar (em ambos os sentidos galegos pensar e ser cursidosa ou cursidoso), a raiz protogermânica é pensada em *rōkijaną com o significado duplo de cuidar.
Esta raiz germânica por sua vez é derivada de uma raiz proto-indo-europeia *h₃reǵ- que tem a ver com o direito, com o legítimo, com o recto (arrichar), com o direito próprio, com a soberania, talvez com a propriedade.

Poderia ser que a palavra primária de recadar na ideia do elo com o direito e a realeza, no tempo pré-romano, fosse uma realidade (re-kav-ar) que se tratou de escrever à latina?, daí as dificuldades em dar um étimo claro a arrecadar, recapitulare, recaptare, recapitare.

Entre as palavras do rebúmbio deste escrito supracitadas, está cursidar como cuidar, onde curso e discurso fazem parte de quem marca o rego, o curso, e tem a palavra, de quem reina, no conceito antergo do neolítico-ferro.

Enão sim, estas protoformas *h₃reǵ- / *h₃rek- do ter haver, e o *h₂erk- (a da arca primária) do conter, poderiam sair do mesmo *herek-, e explicarem a propriedade antiga, o sentido primário da arca, o  reinado antigo, o arrecadar, as arrecadas, a prata céltica arkato, a récua e récova levando e trazendo e o governo económico?






















(1)As solas / soles é (era) uma palavra das Marinhas,  um solinho, a cabeçalha com cadeias, para arrastar a grade ou o cainço, também para ligar como segunda junta ao tiro do carro ou como freio na sua parte traseira. com os verbos assolear, solear, solar como ato deste feito).
Este recadém poderia ser percebido como ré-cadém, re-cadeia, cadeia traseira?
Recatão (-om) é nome do recadém do carro.


(2) O grego antigo >βοῦςβών é considerado de origem semítica uma escrita grega da palavra עירבון \ עֵרָבוֹן‎ (ʿērāḇōn).
Mas pode ter uma origem partilhada com todo o mundo europeu. ἀρραβών pode ser descomposto em ἀρρα + βών, onde βών é uma varição de βοῦς.
βοῦς não é apenas o boi, é qualquer bovino já for macho ou fêmea, mesmo um búfalo, um zebu, um uro. Metaforicamente βοῦς é nome para a "vaca parideira" ou para qualquer fêmea domêstica que poda já parir, dá nome à nai.
Pagamento não total da vaca na feira, apenas com um sinal o ἀρραβών: "amiguinhos sim, mas a vaquinha polo que vale" e pagamento com um sinal da mulher-madre na voda?
Arra, ἀρρα, ou o latino arrha, quer dizer sinal, entrada, de um compromisso de pagamento.
Mas qual seria a origem etimológica?
*herek-?





Pode ser comprovado como os variados significados do inglês rake, sob esta visão do arrecadar que foi dada, colhem maior coerência.

Arrequecer: prosperar (enriquecer)
Arrequentar: aumentar os bens.

Arriquijar: arrecadar o gando, metendo-o na corte.

Arricalho: cavalo pejorado, *arre-kav-ilo?, arricol, arricacho, arricaino, arricajo, arricaco, arricaque, arricasco, arricolo.

Arrequeixar: arruinar, virar pobre.

Quedar a arruche, arruchinar, ficar sem dinheiro.

Pôr a recado: pôr em custódia, pôr em seguridade, pôr no cárcere

Arricar: arar superficialmente









Nas discussões que acompanharam o início da vaga colonizadora, um dos argumentos para justificarem a inferioridade de outras sociedades é a auséncia de dinheiro, a inexisténcia do capitalismo.
Houvo e há sistemas de reciprocidade dificilmente compreensíveis desde o ocidentalismo, também incompreensíveis para a mente colonizadora pois quem coloniza carece de alteralidade, carece de capacidade de entendimento da essência soberana de outrem.
O ser bárbaro é observado a olhos do poder como carente de sistema enconómico.
Ao estudarmos a época histórica da Idade do Ferro, e anteriores, livres do preconceito que carrega o castrejismo, damos com paisagens agrárias e gandeiras que ainda estão grafadas na terra, aparecendo um sistema de exploração que agropecuária que semelha comunitário.
Hipotéticamente dous modelos:
Um de uma elite a morar em brigas, com uma casta trabalhadora em granjas e curros grandes vizinhos a estes castros.
Outro tipo é em granjas que tenhem estruturação de castro, um assentamento populacional central com terras na sua volta e grandes curros, também com moradias no seu perímetro.
Mas como era a economia?, o intercâmbio dos trabalhos?, Custa ser percebido desde a mátrix do pensamento na que estamos.
Roma chega e cobra tributos, Gallaecia, cada briga ou os populi, acunham moeda exclusivamente para pagar a Roma, não para o comércio.
Na época do Ferro, o rebanho comum (vacum e equino) semelha um feito.
Na pescuda "arqueológica" das fotos aéreas e em planos do catastro, o que foi curro, hoje está partido em prados menores. Doutras o curro acabou em propriedade da elite, em paços ou igrejas.
Rio de Onor, uma aldeia raiana entre Bragança e a Seabra, até há pouco aplicava o sistema das sortes não só para as latas ou embelgas do centeio no monte, também para a várzea dos prados, que desde jeito cada ano mudavam de casa que segaria a erva. Mas cada casa tinha vacas próprias na corte, que eram pastoreadas como o gando menor foi pastoreado até há pouco, no sistema da vezeira, no baldio, nas terras comunitárias.
Assim Roma quando fai um censo dos habitantes da Gallaecia só conta quem tem bugaria, a pessoa "dona" duma parelha de "boves", não apenas na ideia de boi, e sim de uma parelha de bovídeos. E a Gallaecia segundo esse censo é um dos lugares mais habitados do mundo que Roma governa.
Isto leva a pensar no profundo do conceito de lugar, e como cada unidade territorial tinha uns lugares, casas, "casilhas", determinado, dificilmente incrementado.
Cada casa dispunha do básico para a sobrevivência, tinha asseguradas umas terras para o centeio, para o pão do ano todo, tinha a sua parelha para tirar do carro e arado, as suas cabras e ovelhas, a sua lenha....
Agora que temos?
Neste sistema agro-pastoral comunitário por força a soberania pertencia à casa, aos habitantes de cada casa, soberania alimentar primária, e a partir daí o resto de soberanias. Era pois uma organização no que o poder "emanava" de um certo povo, e daí, a organização social era saída?
Hoje em dia, a constituição da Espanha, sob a qual estou, manifesta que a soberania reside no povo individualmente em mim, mas é papel molhado. A minha soberania é fictícia, pois dependo, não sou dono de mim, só cultivo um mínimo dos meus alimentos, dependo de outros para obter a mantença e os bens básicos, nem sequer tenho território, e menos ainda comunidade.
Sim, semelha que escolho quem governe isto, ainda que é falso, pois o governo acaba interferido polas ordens do capital.
Esta soberania perdeu-se aceleradamente coa entrada do capitalismo na vida camponesa. Fraga Iribarne nos seus balanços económicos, ano trás ano ia acabando com "a nossa barbárie", anunciando a redução porcentual da população que morava com maior soberania, os setores primários, mas que incompreensivelmente era e ainda é: a inferiorizada.
A entrada do capitalismo selvagem fez/fijo cada vez mais difícil chegar a uma vida defendendo o trabalho num lugar (lugar agrário)mas isto não foi protestado, contestado.
Todo um sistema propagandístico e cultural injetava e injeta que aquela vida era um atraso um atranco, (ninguém dava valor à soberania porque nem era vista).
De feito, a soberania individual é um atranco para o sistema capitalista que tem como força de controlo um aparato chamado Estado que procura criar laços maiores de dependéncia das gentes administradas com ele.
Sem caber a possibilidade doutros caminhos, doutros sistemas, ou vives com esterco nas orelhas ou marchas vender a força de trabalho.
Realmente não se enxerga modelo nenhum de sociedade rural de tecido vivo dentro do capitalismo?
Historicamente sobram modelos sociais rurais, mas as forças do capitalismo são tão fortes que esbanjárom tudo....
Assim sem nos decatar, aliciados por filmes do futuro, por uma esquerda que vende ainda um falso progresso e uma direita que ia na mesma roda, a Europa camponesa, a soberana, foi desaparecendo.
Hoje quem foi ficando no campo na corrida por manter um lugar, incrementando a sua base territorial, apanhando os lugares vazios, também está a perder soberania. Estar, estará na riqueza, mas a soberania é papel molhado. A propaganda e o sistema leva a depender de insumos.
No absurdo de gentes gandeiras que almorçam com leite de tetra brik.
O individualismo, o empreendedorismo e todo um sistema de crenças divulgado desde a mídia, desde o ensino obrigatório, está a ferro metido em nós como sociedade....





Taberneiro: Labrus bimaculatus



Seria o antigo e primário taberneiro um proto-crego?
Confronte-se com os peixes de nome crego que são vermelhos:

Grammoplites scaber, Eutrigla gurnardus, Chelidonichthys lucerna
















































































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