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....et presimus alia uilla de mazedoni et posuimus mazedonio...

 Continuando com a identificação das uilla da repovoação do Bispo Odoário, no documento escreve: et presimus alia uilla de mazedoni et posuimus mazedonio...
Também como sancte eulalie de macedoni, atual Santalha de Maçói / Santa Eulália de Maçói; no século XIII como Sancta Eolalia de Mazon ou Sancta Eolalia de Mazoi.



Mazói / Maçói.

O relevante da estrutura da uilla Mazedoni é o seu grande tamanho.
Podem ser observadas três fases:
1 Um primeiro cousso já grande com evolução de um dos seus becos a castro / claustro (São Vicente de Pias), infelizmente destruído pola auto-estrada (dentro do recinto 1 há um castro conhecido como "os Castros").



2 Um acrescentamento da sua boca, com becos em Corral de Arriba e Corral de Abaixo a oeste, e em Cacabelos a leste.



3 Um terceiro acrescentamento que daria uma forma de semicírculo ao conjunto de Maçói, com esquina em Pinheiro.

A etimologia de Macedónia vai ao protoindo-europeu  *meh₂ḱ- "incrementar, aumentar / longo". 
Nesta raiz está o grego μᾰκρός (măkrós).
Esta ideia de grande, longo, aumento é condizente com a imagem de Maçói, uilla na que teria acontecido um acrescentamento da inicial tapada de caça (número 1).
No protocéltico pode ser citado o verbo *maketi "incrementar" (Matasović *mak-o-).
Maçói, Mazedoni, poderia indicar uma raiz no protoindo-europeu *mehk-ti--Hō "incrementação", sendo a forma do século VIII Mazedoni um genitivo com o significado "da incrementação", como a sede, capital, lugar gestor, da uilla da incrementação.

Esta hipótese leva a questionar que toda a toponímia do grupo Maceda / Macedo, tenha a ver com maçã, por exemplo no século X cita-se a uilla de Macedi.



Macedo /mɐ'θɛdʊ/ de São Martinho dos Condes (Friol).

Maceda de São Cibrão de Monte Cubeiro (Castro Verde).



São Pedro de Maceda (no Corgo).



Maceira de Santa Maria do Alto de Gestoso (Monfero), com acrescentamentos observáveis, desde um primário cousso com curro circular num dos seus becos (evolução frequente) de nome Giro.
De uma raiz protoindo-europeia *meh₂ḱ- *-eh₂so -yéh₂ : *mehkesyéh "*incrementeira, grandeira". Protocéltico *mak-o- *-āria: *makaria "o lugar do incremento".



Então:
- Não toda a etimologia da família de Maceda teria ver com maçã, alguma está sediada no protoindo-europeu *meh₂ḱ- , protocéltico *mak-o- ("incremento, grande, longo").
- O gestor da uilla Mazedoni, recebe um cognome novo pola uilla que governa, a qual é uma uilla aumentada, longa, grande.
É a uilla Mazedoni a que dertermina o gentílico mazedonio.




....et in Desteriz Desterico....

 
Continuando com a repovoação de Odoário, neste caso Distriz na freguesia de São Tiago de Meilão (Lugo), que no texto aparece como Desteriz.

Outros Desterizes ou já Distrizes:


Santo André de Distriz (Monforte de Lemos).
 


Distriz, terras em São Pedro de Vêndia, Bencia na ortografia espanholizada (Castro de Rei).




São Martinho de Distriz (Vilalva).


Podendo errar, a interpretação das imagens leva a pensar no latim (acusativo) dextrum / dexterum com o sufixo divulgado como germânico -iz, ainda que há a teoria de ser pré-latino, dexter-iz "da direita".
Ou dada a ancestralidade da tapada, como um protoindo-europeu *deḱs-tero-s, confronte-se com o grego δεξιτερός "aquilo (oposicionalmente) da direita" versus  δεξιός (direita).

 δεξιός  grego tem o par protocéltico *dexswos, protoindo-europeu *deḱs(i)-wó-s.
Que levaria a interpretar Santa Maria de Dexo (Oleiros) como também de esta família?





Sob a hipótese alicerçada no documento de repovoação de Odoario,
...unusquisque per istas uilla (sic) nomina de illos omines...
que levaria a entender que cada pessoa gestora ou governadora de uma uilla recebe o (cog)nome dela, da uilla: Os Destericos medievais galaicos primários teriam sido os habitantes de Desterizes, Distrizes, posteriormente os descendentes deles fazendo referência à uilla da sua linhagem, à unidade familiar coproprietária ou usufrutuária de um espaço territorial, jurisdicional indivisível.
Assim o microtopónimo talvez céltico, traduzido posteriormente ao latim,
que daria nome ao beco direito da uilla, acabaria dando nome à vila inteira no caso dos Distrizes de São Tiago de Meilão (Lugo) de Santo André (Monforte) e São Martinho (Vilalva). No caso de Distriz de São Pedro de Vêndia, estaria na dúvida se o local foi habitacional, em alguma altura relevante e decaiu, ou se foi desde um início secundário, talvez perdida a sua funcionalidade ao ser alargada a uilla no seu lado leste, como pode ser intuído na imagem, e ficar o beco deslocado a Quintela.