O Padernelo é um lugar na freguesia de São Martinho de Churio (Irijoa).
No escrito anterior já foi apresentada uma hipótese sobre o topónimo frequente Paderne, que poderia ser observado desde o significado do genitivo latino paterni como "ancestral", assim sepulchra paterna, não são os sepulcros dos pais, e sim os sepulcros dos ancestres, dos ancestrais.
Ao visionar Padernelo desde as imagens do voo do 1956:
Isto suporia, aceitando a hipótese de Padernelo ser o "ancestralzinho", que haveria uma consciência do devir do tempo, que haveria uma relativa memória do passado, e portanto uma continuidade.
Outro dos nomes aí visto é Casal, que bem pode ser um grupo de casas, mas que repetitivamente aparecem topónimos tipo casal ou casa associados a estas estruturas de caça, o que levou já a lançar a hipótese de que casa, caça e capsa sairiam do mesmo tronco etimológico, sendo a vida dos grupos nômades de caçadores-recolectores um caminhar de casa a casa, de etapa em etapa, de capsa de caça, a caixa de caça, de local de caça a local de caça.
Já o Cerro no beco, teria um significado transparente, indicando o cerre que envolve a armada.
Só mais dous microtopónimos:
Lagar
Alguns topónimos de base lagar na Galiza poderiam não fazer referência ao fabrico de sidra ou vinho, e talvez estariam a dar nome a outra ideia, estar o nome de Lagar no lugar final da armada de caça, poderia-o relacionar etimologicamente com o lag gaélico escocês "buraco, cavidade; covil, cave; poço, fosso; pequeno vale", protoindo-europeu Pokorny: lā̆gh "cortar".
Casa do Golpe.
Golpe já foi analisado neste blogue como pertencente ao grupo de Ulfe:
A raiz das palavras para lobo, e não só, também para animal bravo em geral, no proto-indo-europeu partiriam de *wĺ̥kʷos. No germânico *wulfaz onde há uma transformação da consoante k em f, talvez um prévio ph ou um anterior p?
Assim para nomear um animal fero ou selvagem, poderia ter havido uma linha mais antiga: *wĺ̥kʷos.
Com dous descendentes:
- Uma linha Q: *wĺ̥-kos (confronte-se com urco ou o proto-eslavo*vьlkъ (vulku), sânscrito वृक (vṛ́ka) e वृष (vṛṣa).
- E uma linha P *wĺ̥-pos (confronte-se com volpe/golpe e lupus). É nesta linha P que *wĺ̥pos acabaria em dar *wĺ̥-phos e daí *wĺ̥-fos (confronte-se com golfo e golfinho, com o gaélico escocês uilp, uilpean, uulp "raposo") e a linha germânica *wulfaz.
Estaríamos então diante de uma palavra com dous lexemas?
*wĺ̥kʷos: *wĺ̥ e -kʷos.
Assim palavras que dão nome à raposa, comumente concebidas como derivadas do latim vulpes, têm outra perspectiva como mais diretamente ligadas a *wĺ̥kʷos:
Assim para nomear um animal fero ou selvagem, poderia ter havido uma linha mais antiga: *wĺ̥kʷos.
Com dous descendentes:
- Uma linha Q: *wĺ̥-kos (confronte-se com urco ou o proto-eslavo*vьlkъ (vulku), sânscrito वृक (vṛ́ka) e वृष (vṛṣa).
- E uma linha P *wĺ̥-pos (confronte-se com volpe/golpe e lupus). É nesta linha P que *wĺ̥pos acabaria em dar *wĺ̥-phos e daí *wĺ̥-fos (confronte-se com golfo e golfinho, com o gaélico escocês uilp, uilpean, uulp "raposo") e a linha germânica *wulfaz.
Estaríamos então diante de uma palavra com dous lexemas?
*wĺ̥kʷos: *wĺ̥ e -kʷos.
Assim palavras que dão nome à raposa, comumente concebidas como derivadas do latim vulpes, têm outra perspectiva como mais diretamente ligadas a *wĺ̥kʷos:
Urpe em lígure.
Olp, volp, golp em lombardo.
Golpe no dialeto de Sena.
Gorba e orba nos dialetos marchigiani.
/w'o.lə.pa/ em Alatri no mesmo Lácio, berço do latim.
/y'o.lə.pa/ em Campobasso (Molise).
Gurpe num dialeto sardo.
Gulp, wolp, nas falas romanches.
Goupil, gopil, gopile, gupil, gouspil, woupil, wupil, houpil, hopil, oupil, golpil, volpil, vulpil, holpil, houplil, gourpil, gorpil, guorpil, vourpil, vorpil, vurpil, worpil, horpil, ourpil, welpis, guerpil, verpil, werpil, virpil, grepil, colpil, francês antigo.
Para Pokorny a raiz *ol- [ol-(e)-] teria o significado de "destruir", e mas também ol- [el-1, ol-, el-] teriam o significado de "vermelho, pardo, castanho".
Segundo isto *wĺ̥ -kʷos seria "o destruidor" ou "o apardado", dando-lhe à raiz -kʷos uma função derivativa adjetival, latim -cus, proto-céltico -kos.
Daí que em *wĺ̥kʷos poderia estar na raiz do nome de animais diversos ou mesmo fantásticos mas na ideia de animais caçáveis, perigosos, feros, como o urco, a orca, o urso, o volpe, o golfinho, o lobo ...
Isto dá para reparar na possível origem do nome de urca, usado em Trás-os-Montes para a égua, confronte-se com o proto-iraniano *(w)ŕ̥šā "animal masculino", ou com o proto-germánico *hrussą "cavalo". Urca (*ulfa/*ulka) como nome da égua seguiria a mesma linha que a palavra besta que também nomeia à égua.
Então quando toponimicamente há um lugar com base em golpe, ou golpelha, pode ser devido à raposa, à vulpes, mas também poderia estar a referir-se à besta protoindo-europeia *wĺ̥kʷos que chegou até o hoje transformada foneticamente em golp-.
Assim Golpe seria uma forma genitiva *wĺ̥kʷe "o da besta, o da fera".
O que abre a pensar que a vulpes latina seja " a da *vulpa", um epíteto.
Ao estar a Casa do Golpe no hipotético beco de caça do cousso ancestral, daria uma ideia de continuidade, e que a pessoa talvez apelidada de Golpe, não foi quem deu nome à casa, ao contrário, o habitante da casa construída no lugar de Golpe, no lugar da caça da béstia, receberia o nome do lugar, da funcionalidade ancestral do lugar.
Isso abre a porta a que alguns nomes das casas nos lugares e aldeias estão a transmitir o microtopónimo funcional de esse sítio nos tempos passados.
(No blogue há alguns outros exemplos, como o da casa de Cousso).
Olp, volp, golp em lombardo.
Golpe no dialeto de Sena.
Gorba e orba nos dialetos marchigiani.
/w'o.lə.pa/ em Alatri no mesmo Lácio, berço do latim.
/y'o.lə.pa/ em Campobasso (Molise).
Gurpe num dialeto sardo.
Gulp, wolp, nas falas romanches.
Goupil, gopil, gopile, gupil, gouspil, woupil, wupil, houpil, hopil, oupil, golpil, volpil, vulpil, holpil, houplil, gourpil, gorpil, guorpil, vourpil, vorpil, vurpil, worpil, horpil, ourpil, welpis, guerpil, verpil, werpil, virpil, grepil, colpil, francês antigo.
Para Pokorny a raiz *ol- [ol-(e)-] teria o significado de "destruir", e mas também ol- [el-1, ol-, el-] teriam o significado de "vermelho, pardo, castanho".
Segundo isto *wĺ̥ -kʷos seria "o destruidor" ou "o apardado", dando-lhe à raiz -kʷos uma função derivativa adjetival, latim -cus, proto-céltico -kos.
Daí que em *wĺ̥kʷos poderia estar na raiz do nome de animais diversos ou mesmo fantásticos mas na ideia de animais caçáveis, perigosos, feros, como o urco, a orca, o urso, o volpe, o golfinho, o lobo ...
Isto dá para reparar na possível origem do nome de urca, usado em Trás-os-Montes para a égua, confronte-se com o proto-iraniano *(w)ŕ̥šā "animal masculino", ou com o proto-germánico *hrussą "cavalo". Urca (*ulfa/*ulka) como nome da égua seguiria a mesma linha que a palavra besta que também nomeia à égua.
Então quando toponimicamente há um lugar com base em golpe, ou golpelha, pode ser devido à raposa, à vulpes, mas também poderia estar a referir-se à besta protoindo-europeia *wĺ̥kʷos que chegou até o hoje transformada foneticamente em golp-.
Assim Golpe seria uma forma genitiva *wĺ̥kʷe "o da besta, o da fera".
O que abre a pensar que a vulpes latina seja " a da *vulpa", um epíteto.
Ao estar a Casa do Golpe no hipotético beco de caça do cousso ancestral, daria uma ideia de continuidade, e que a pessoa talvez apelidada de Golpe, não foi quem deu nome à casa, ao contrário, o habitante da casa construída no lugar de Golpe, no lugar da caça da béstia, receberia o nome do lugar, da funcionalidade ancestral do lugar.
Isso abre a porta a que alguns nomes das casas nos lugares e aldeias estão a transmitir o microtopónimo funcional de esse sítio nos tempos passados.
(No blogue há alguns outros exemplos, como o da casa de Cousso).



