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Vila Pequena e Vila Grande

 

Estes últimos escritos têm-se focado no que teria sido uma uilla galaica, uma continuidade do cousso do final do paleolítico, aumentado e transformado numa tapada para animais semi-domesticados, parcelamento que teria chegado como unidade territorial até a Idade Média.
Isto é em Santalha de Madelos (Friol):




Inicialmente duas uillas de tamanho similar.
A uilla leste, Vila Grande, como uma evolução de um cousso de caça.




Cousso de caça que teria sido aumentado, fazendo uma tapada maior, uma uilla.

Entre a microtoponímia a destacar:

Naval não como nabal, plantio de nabos e sim de nava "depressão no terreno"


Faveira: pode ser percebido como um terreno para favas, mas o tema já foi tratado em "Fafião", como local da comida (da caça).

Já depois Castrelo onde não há castro nenhum?

Isto já foi explicado no escrito "Castro? Vai de ida ou vem de volta?
Nesta análise da Vila Grande e Vila Pequena, também na Vila Pequena acontece algo similar:

No escrito antes referenciado lança-se a hipótese de que estes lugares de nome Castrelo e Castro (crasto) onde não há briga murada nenhuma, seriam cognatos do latim claustrum, por um étimo *(en)kwalastra "cercado", protoindo-europeu *kleh₂udtrom, como lugar de confinamento, de abrigo.
Quer dizer nos becos inicialmente de caça, já transformados em mangas, aparece um cercado posterior que serve para o maneio dos animais mantidos dentro da tapada, da uilla.  


Outro dos topónimos a destacar é o de Hôrreo, podendo haver um hôrreo, um espigueiro no lugar, mas também na ideia explicada no escrito "Orraca", como lugar de armazenamento, ancestralmente: vala, rego, caverna, fosso; todos eles significados condizentes com a funcionalidade do lugar na altura de ser cousso de caça, ou tapada onde manter animais em cativeiro.



Esquema de como a uilla do lado lesteteria sido agrandada:

A destacar os nomes de Chousa da Cancela e Cas Cancela, condizentes com o "novo" aditamento.

Quanto a Vila Pequena, destacar o nome de Castro no seu beco oeste que já foi explicado.


Outro nome a destacar é o de Aspera, já tratado no escrito "Da nespra e do bispo" onde entre outros temas é dito:
Aqui estaria a base protoindo-europeia *sper-
Com três significados: lança, ave, girar.
Assim os topónimos do grupo esper- / asper-, além do lugar de caça à espera, seriam o lugar da lança e lugares de giro, sinónimos do topónimo Revolta.
Como já noutros casos é mostrado a variabilidade e divergência, de significados de uma raiz protoindo-europeia, pode ser observada no cenário, talvez primário, que recebe o nome de essa raiz.

Também a destacar que, a sede religiosa, a igreja da paróquia de Santalha de Madelos, como em tantos outros casos, fica na ponta da uilla, local principal de gestão do gado na tapada.

Castro da Casilha

 O Castro da Casilha é comummente referenciado a Nadela, mas faz parte da freguesia de São Pedro de Santa Comba (Lugo) .

Recentemente nele foi arqueologicamente descoberta uma longhouse datada no Bronze.



Vai ser aqui intentado dar uma imagem da paisagem humana nessa altura, para um melhor entendimento de como teria sido a vida quotidiana na altura do Bronze.

Esta imagem:

polas suas divisões cadastrais desenha esta forma, que neste blogue está sendo apresentada desde há uns anos:


Então, a norte está a Meda Velha que desenha um cousso menor com beco em Corvelhe.
Sobre Corvelhe e topónimos de base corv- neste blogue já foi tratado o tema, concluindo a possibilidade de que parte da tanta toponímia de base corv-, associada ao corvo, fosse de raiz protocéltica *karwos "cervo".
Esta Meda Velha teria sido a origem da primária granja pecuária neolítica, posterior ao cousso, por vedação da sua boca e transformação numa chousa ou tapada.
Posteriormente a Meda Velha teria sido alargada, incrementada para o seu sul.
O aparecimento de um castro num do becos laterais da granja pecuária neolítica foi tratado no escrito "Castro? Vai de ida ou vem de volta?" Onde são mostrados numerosos exemplos topográficos de tal plano ou desenho do espaço neolítico que se prolonga até o Bronze, Ferro e Idade Média com a mostrada uilla fundiária, nos escritos anteriores a este.

Para uma interpretação (que é uma repetição do apresentado neste blogue):
O gado inicial, veados, auroques ou uros, cavalos, seria gerido como animais selvagens em cativeiro dentro de uma grande tapada, este gado para ser atendido seria acurrado nos becos, bicos laterais da grande tapada a jeito das chamadas mangas de maneio.
A população neolítica, do Bronze, Ferro, assenta neste ponto, pois é o local principal de gestão pastoral, é o lugar de sacrifício também; é o lugar que na atualidade está por vezes ocupado por uma igreja ou capela.
Então o trabalho pecuário seria mais bem um cuidado dos valos perimetrias da grande tapada, e um controlo mínimo dos animais do seu interior.
Este modelo de "economia" permitiria uma camada de população que poderia viver sem dedicar tempo a produzir alimento, mas que seguiria vivendo diretamente ligada com o seu espaço "familiar" no ponto "crítico" da tapada, nos seus bicos de captura e maneio.

Surpreende a continuidade, polo topónimo Casilha, por haver nesse ponto uma casilha de lagoeiro. Este tema das casilhas serem uma continuação das paragens nas vias do neolítico e anteriormente dos coutos e coussos de caça nómada do paleolítico final, vias que mais tardiamente viraram "caminhos reais", e hoje estradas, foi tratado no escrito "O caso da caça e das casilhas. Begonte e Cáceres", onde são apresentados numerosos casos de esta toponímia e de esta organização das vias.

Para o meu amigo David.