Maradona e Lodeiro

Para destacar que a Norte de Budeiros de Arriba está Budeiros de Abaixo, a chousa no seu bico tem o nome de Maradona.




Outras Marad- explicadas em contexto pecuário e de relação de chousas:

Maradona de São Pedro de Arante (Ribadeu).
o lugar grafado também com o nome da Cortinha da Maradona, e a parte ao seu oeste, o monte com o nome da Zarra da Maradona.






Maradela de São João de Covas (Viveiro). Com marcados topónimos como a Cruz do Adrado ou Merão (-ám) mais explicado neste enlaço. Ventoselhe, do lexema vent- /fent- no já explicado da origem de Venda, pela raiz *winth-, com Lodeiro talvez de um *lotarius, a etimologia da palavra lote adscreve-se ao germânico *hlutą que vai dar ao protoindoeuropeu *(s)kleh₂w- "capturar, cachar, colher, pegar, pescar, dificultar, bloquear, fechar, impedir a entrada". Ainda que lodeiro poderia ser parelho a rodeiro. Sendo alguns lodeiros toponímicos semelhantes a rodas:


Lodeiro?



Lodeira de Dexo, fundo arredondado da chousa que tem o bico na Igreja de Dexo.


Lodeiro em Suevos (Arteijo)


Lodeiro em São Salvador de Vileiriz (no Páramo).


Lodeiro em São Martinho de Tabeaio (Carral). Lodeiro aparece numa possível saída lateral da grande chousa, com a forma afunilada. A destacar no seu bico oeste o recinto com a toponímia de Vila Verde.

O Lodeiro de São Tiago de Goiriz (Vilalava), dá para destacar os nomes dos terrenos de Vilar do Lodeiro de arriba e Vilar do Lodeiro de Abaixo. Vilar aqui está usado na ideia vedatória explicada no escrito Guilheto.
Lodeiro de Arriba e Lodeiro de Abaixo em Santa Maria de Queixas (Cerceda). Destaca o topoónimo grafado no mapa como Besura, mais alargadamente explicado em "Vessura, a partição do território".



Então no topónimo lodeiro entra em si:
- O lodo, a lama, que os animais criam quando pisam frequentemente um lugar.
- Um lugar vedado, cercado no protogermânico *hlutą do protoindoeuropeu *(s)kleh₂w- "capturar, cachar, colher, pegar, pescar, dificultar, bloquear, fechar, impedir a entrada". Com a sua árvore correspondente: o lodeiro, lodoeiro, lodão (Celtis australis).
- Um lugar rodeiro, onde é feito o rodeio








Maradona?

Maradona é um topónimo aparentemente isolado, poderia ter a ver com vara, numa mutação m / v, mas não exitem varadonas, e sim curros de base no lexema vara:


As Varadas de São Mamede da Ribeira (Páramo).

Vara desde o hitita warr- dá ideia de ajuda, utilidade, serviço.
Vara desde o latim vai dar ao arqueado, ao cambado, mas não ao pau.
A ideia é que a proto var- dá nome:
- Ao pau de vedação
- Ao pau cambado
- Ao rebanho
Já foi analisada *wara em "algária, o pastoralismo":
*al-war- / *an-war- seriam a mesma cousa, um pendelho, uma cabana, talvez fixa.
*war-: daria a gar-/guar- na ideia de guardar e mesmo a habitação garagem, garito, algar "cova"; daria barra na ideia de vedação e mesmo habiração barraca; e daria vara.
*war-/ *wal- ligaria o valo, o muro, com a barra.
*war-atu-ona poderia estar sob o escasso topónimo Maradona, como lugar da vara, do rebanho, como lugar de varar, de reunião e parada, como lugar valado.
Assim o par varão / marão poderia ajudar a perceber maradona como *varadona?


Maratona, Μαραθών (Marathṓn) tem a sua etimologia fechada na palavra μάραθον (márathon), "fiuncho".
Entenda-se que fiuncho é um diminutivo de feno, fenuculum.

Então μάραθον:
É um neutro singular de *μάραθος, adjetivo de *μάραθ-.
Assim: μᾰρασμός (marasmós), “murcho”, derivado de μᾰραίνω (maraínō), “murchar, decair, gastar”.
Se o fiuncho tem a ver com o feno, com a erva-seca, o μάραθον também poderia ter relação com o murcho.
Marado no corunho: canso..
Marar é casar a morte, causar danos, enlouquecer, a sua origem é dada na fala dos ciganos

Desde o hitita:
war(a)s-, warsiya-, é pensado ter a ver com "varrer limpar".
Referido aos campos poderia ser percebido como "ceifar"; assim warrasuwas "campo que pode ser ceifado, colheitado".

No galego marouça: montão de feno, de canas de milho, medouço; pedras e vegetação do comareiro. Morouça: montão de pedras.

Mara- então poderia fazer referência a vegetação seca, morta.




לוט (lōṭ), “nome da mirra”, literalmente “coberto envolto”.
Levar um lote de erva, levar um feixe de erva.
Lotaria: repartir os lotes de terra? *Rotaria
Rodeio

Hipótese das linhas básicas da génese da parróquia galega

Neste blogue fôrom apresentados os esquemas do curro para gando neolítico básico que é possível identificar na paisagem galega. Vai ser apresentada uma hipótese de como pudo ter sido o seu desenvolvimento até quase hoje:


Um espaço vedado de forma afunilada que permite o maneio de animais semi-selvagens ou em domesticação.
Um espaço para as culturas imediato ao curro pastoral, "a cortinha".
Um espaço habitacional humano em um lugar elevado que permite um controlo do território vedado
Um espaço "religioso" onde costuma haver uma pedra significativa, entronizatória, sacrificial, também pode haver uma mámoa, o local do chefe pastoral.
Estes dous espaços determinam também duas castes de trabalhos ou de gentes:
O grupo pastoral propriamente dito, pessoas especializadas em cuidar o rebanho quando pasce fora do grande curro e que requere um trabalho muito ativo e atento pois são animais semi-domesticados e há predadores, grupo que ficou na cultura hindu com o arquétipo do Govinda.
O grupo dos acomodadores, quem cuidam do rebanho já dentro do curro, arquétipo das Gopis (mugidoras) e o Gopala, (confronte-se com a expressão "estar de pala", as vacas "estão de pala", isto é as vacas estão na corte guardadas com o fim de serem cuidadas e bem mantidas).




Aparece um terceiro lugar habitacional,com o passo do tempo, um local ocupado por umas pessoas que estão fora do setor primário agro-pastoral, um proto-castro, onde mora uma certa elite e gentes que vivem de insumos que não produzem diretamente.
Este terceiro lugar é significativo pois não todas as culturas derivadas do primeiro estádio pastoral indo-europeu desenvolvêrom, assim o povo germano, na altura de Roma, é ridicularizado por morarem as elites com as vacas, quer dizer a cultura germana não desenvolveu um terceiro espaço alheado da grande chousa, a elite e setores secundários e terciários moravam na volta do recinto.
Este terceiro espaço é descrito como foi desenhado em livros antigos da Roma, onde o primeiro espaço o da pedra fai de "auguráculo", como ponto referencial desde o que astrologicamente e por outras considerações, é determinado como e onde será construído o novo assentamento, as portas ou porta, quais os eixos, em geral a estrutura do lugar não aldeão, "urbano".
Terceiro espaço humano que está ligado umbilicalmente, por caminho com o lugar "fundacional", religioso, ou de poder da chefatura pastoral.




A grande chousa é partida:
A partição da chousa e o fim do pastoralismo "grupal" está relatado na lenda de Rómulo e Remo.
Rômulo parte a grande chousa com um arado de relha de Bronze, o que indica a "altura" tecnológica na que o pastoralismo de animais semi-selvagens passou a ser o pastoralismo de animais domesticados mansos que precisava menos trabalho.
Aqui neste ponto a diversidade do jeito de ocupar o espaço é maior que nos estádios anteriores.
Mas vou indicar a que considero mais comum:
O espaço da ponta segue a ser eminentemente gandeiro, com nomes tipo palatio ou *pintia/quintia "ponta", os outros espaços podem ficar em prados ou terrenos de cultura, soutos.
Voltando a Rómulo e Remo, abre-se uma hipótese: na sua sociedade há dous clãs, os Fábios e os Quintílios, que poderíamos situar nesta estrutura, sendo os Quintílios os da quinta, os da ponta os continuadores do pastoralismo e os Fábios os agricultores que ocupam os terreos partidos da grande chousa já não pecuários. São duas castas que intervêm como "cerimoniais" no culto lupercal antergo, mas que continuam depois como castas religiosas.
Este espaço da ponta pode ficar em mãos do lugar onde estivo a vigilância, agora já casa grande, ou em mãos do poder religioso.



Desaparição do espaço "urbano" local para integra-se em espaços urbanos maiores, citânias, oppida, também "regresso" ao espaço da antiga "chousa" de setores secundários e terciários com a constituição, fundação ou refundação de vilas, novamente diretamente relacionadas com o primário espaço pecuário.
Desaparição do grande rebanho e da "utilidade" da chousa como vedação para guardá-lo. Reparto da terra e aumento do trabalho individual.
Evolução do local religioso agora com a igreja cristã que conserva propriedades do terreno.
O local da vigilância com torre, paço ou casa grande que é proprietário de grande parte do terreno, e onde pode residir um pequeno poder territorial local.

Aparece a parróquia em si, por criação eclesiástica, no século XIII.