Neste blogue foi mostrada a continuidade da uilla medieval e a hipótese da sua antiguidade neolítica, com a origem no cousso de caça do paleolítico final, por exemplo no escrito " ....et in alia uilla Guntini misimus Guntino..."
Na definição do professor Pena Granha: a uilla medieval é um espaço jurisdicional indivisível, copropriedade de um grupo de parentesco.
Vai aqui a Vila do Monte da freguesia de Cumbrãos (Sobrado dos Monges):
Nas imagens pode ser vista a forma de grande tapada (para gado) com curros nos seus vértices: Chousa no oeste, que é transparente, e Campo Verde no leste.
Sobre verde na toponímia, já foi tratado neste blogue que alguns verdes poderiam estar em relação com a raiz etimológica que deu no galês perth "sebe".
Esta uilla, que teria sido inicialmente pecuária, mostra esta parcela agrícola no terreo cadastral chamada Finca da Casa:
Este tipo de estruturas, frequentes, foram tratadas em distintos escritos de este blogue, como em: "Segade de São Cristovo de Dormeã, com pequena introdução ao parcelamento agrícola do neolítico atlântico". Onde se escreve:
...Estas parcelas podem ser observadas noutros lugares, como no entorno de Stonehengue. A arqueologia inglesa deu-lhes o nome de cursus, por acreditarem que teriam sido lugares para corridas de cavalos, com datação entre o 3650-2900 aC.
A Finca da Casa tem uma longitude máxima aproximada de 220m e uma largura máxima aproximada de 77m.
A longitude 220m entre arco e arco, 173m na sua forma retangular:
Na Inglaterra usou-se a medida de longitude do surveyor furlong "rego longo de agrimensor", com uma medida exata hoje de 201,168m.
Na época medieval o surveyor furlong correspondeu à longitude de uma embelga, a longitude de uma partição do comunal para semear o cereal.
Como tantas outras medidas agrárias (jeira de terra, por exemplo, que é a superfície que ara uma jugada de vacas ou bois em um dia, bovada em época medieval...) o surveyor furlong é a distância que a parelha de bois ou vacas pode arar sem parar a descansar, de um golpe continuado de força.
O que leva a pensar num primário processo de aragem da terra com animais ainda semi-domesticados, que se punham a tirar até que paravam por cansaço, em por eles, não atendendo ao xô.
Isto leva a um pensar que já na altura do IV milénio, no Atlântico os bois já andavam ao jugo, e condiz na cronologia com o que é tida por primeira evidência do arado em em Bubeneč, (República Checa).
No galês e no irlandês antigo esta medida é aproximada aos 200m, variável, leva os nomes respetivos de ystad e stait. Medidas equiparáveis, ou para pôr no mesmo conjunto que o estádio do Império Romano 185m.
Estes recintos valados para serem lavrados, explicam o porquê das suas cabeceiras redondeadas, que aprimoram o aproveitamento da terra para dar a volta com o arado, minimizando o espaço que teria que ser cadabulhado.
A largura, 77m máxima, 52m mais ou menos na parte mais estreita :
Poderia ter a ver com a chamada "mão de semeado", que é a faixa coberta por semente ao ir sendo lançada polo semeador.
Segundo Marcos Celeiro, no seu texto sobre o ferrado, esta faixa tem uma largura de sete passos (sendo o passo de 0,7405 metros) a faixa de semeadura de 5,18 metros.
Assim a maioria de estas parcelas agrícolas teriam de largura múltiplos de sete passos, múltiplos de 5,18 m. Neste caso 10 faixas de semeado.
Sem comentários:
Enviar um comentário