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Algária ou Algália, o pastoralismo

O topónimo de Algália ou Algária é associado com do gato-da-algária, a geneta.

O nome de algária a etimologia relaciona-o com o árabe andaluzi الغَالِيَة‎ (alḡál(i)ya), do árabe clássico غَالِيَّة‎ (ḡāliyya) "almiscre", ou com لْغَار‎ (al-ḡār) "gruta".
O tema da geneta, do animal algária, está mais desenvolto neste outro escrito.
Aqui serão tratados os topónimos da família da algália ou algária:

Outras palavras de base algar- podem dizer algo mais?
Algar: "cova, gruta, furna".
Algarve: barranco feito polas torrentes.
Algária: cardume grande e apertado de sardinha, o mesmo que algareote.
Algarião (-om), algarioa: que anda de um lugar para outro, o mesmo que alveloa.
Algara (arcaico) incursão militar de pilhagem.
Ir de algarve: caminhar descalço.
Algarufar: agitar, remexer a lenha no forno para que arda melhor.
Algaravia: gritaria, confusão, bagunça de ruídos e vozes.
Algarear: vozear

Algaravio: ave marinha que anda e voa em bandos que produzem ruído.
Algaravão: alcaravão. No asturiano algaraván, também dá nome além de ao alcaravão ao maçarico.
Algariar: "andar o gando de um lugar para outro sem pascer" o mesmo que alvelear.
Algarufar-se: alvoroçar, alvorotar-se, encrespar-se.

Algar-, aparenta com alvar-?
Poderia ser uma mutação v=g.
Assim: algarião, que anda de um lugar para outro é o mesmo alveloa, a ter em conta a avezinha alvéola /alvéloa, a lavandeira que não pára quieta e com o adjetivo alvela "acordada, vigilante, irrequieta". Também algariar "andar de um lugar para outro", com alvelear (andar de um lugar par outro sem pascer).

Palavras com lexema raiz alv- dão uma ideia de irritação ou movimento rápido: como alvarinha que qualifica a vaca xota, irascível, rã-alvarinha (por ser irritante, a estorça ou rã de São Antão)  alvoroço, alvoriçar,  alvuriçado....
Neste grupo de palavras da irritação e movimento do lexema alv- pode ser observada a ligação com palavras de lexema alp-: alporiçar, alpuriçar, alporear.... E com lexema alg-: algurufar, algarufar...
(alv- = alp- = alg-).
Fazem pensar num radical algær- / alvær- / alpær que leva em si a agitação, irritação.

O idioma árabe ajuda com a palavra: الغَرْب‎ (al-ḡarb) que nomeia o território do Algarve e com o significado de ocidente, oeste, mas também com os significados de veeméncia, violéncia, tempestuosidade.
No idioma árabe que foi primeiro?, o al-garb como veeméncia?
, o al-garb como occidente?, o al-garb como topónimo das terras occidentais?


Algar de São Tomé de Gaioso (Outeiro de Rei), pode ser visto no Algar toponímico, um curro afunilado, parelho a outro curro dentro do que se encontra a igreja da freguesia, como tantas outras.
Algara de São Pedro de Trava (Castro de Rei), dentro do curro está a igreja e o cemitério, levando a pensar no primário espaço pecuário neolítico, onde os túmulos funerários de pessoas e animais partilhavam espaço.

Assim os topónimos galaicos da Algária / Algália poderiam ser percebidos como lugares de movimento, talvez caminhos ou vias de maior trânsito do que noutros lugares?


Nesta imagem no lugar de Santar de Mercurim (Boimorto) está a Algária (número1) justo na parte norte da Chousa do Rio no entorno do castro de Pousada. Talvez um lugar de passagem contínua de gando?






Lugar da Algária ou Algália em Dormeá (Boimorto) ao pé do Castro da Algária. O nome de Algária está no bico do cousso de caça passiva, que coincide com a casilha dos lagoeiros no caminho antigo Betanços-Melide. Outros microtopónimos que envolvem o curro são a Chavelha lugar no seu leste, e Seria e Pedreira no seu norte.

Algária de São Fiz de Quião (-om) (Touro)


Forma de cousso de caça passivo em São Mamede das Granhas do Sor (Manhão (-om)), no seu lado leste, no seu beco com topoínimia identificativa como Chão da Casa Velha, Pedreira, e Algária, entenda-se como lugar de rebúmbio na caça.



Algara de  Vilapene (Cospeito) dando nome a um dos hipotéticos becos de uma estrutura em forma de cousso.









O Curro da Algária de Niveiro (Vale do Dubra), com os topónimos pecuários. Chama a atenção o nome de Xestosa ou o Sostelo, que semelham ser variações de Sisto ou Sistelo, para dar nome a lugares pecuários de descanso.

A Algália de Varziela (Santiago de Compostela) responde a um curro à beira de um rio, na várzea, o que poupa fazer uma proteção de um dos seus lados. Como outros curros afunilados "urbanizados" no seu extremo assenta a Igreja, também ao pé do Castro da Caluba.
A Algália de São Pedro de Sarandão (-om) (Vedra), ao pé de um possível castro ainda ocupado, Ribeira. A reordenação agrícola atual fijo desaparecer totalmente o curro que já no 1956 dele pouco quedava, talvez já transformado polo sistema das agras.
A Algária em São Fiz de Quião (-om), Com a "urbanização" no bico de saída do lugar de Avelenda, e ao pé do castro.
A veiga da Algária em Aldeão (-ám) (Alfoz).

Algália, ruas na cidade de Santiago de Compostela.
Pode ser visto o curro?
As ruas da Algália saem da praça de Cervantes, lugar de algaravia de muita circulação de gentes, mas talvez foi lugar pecuário como as Algálias / Algárias anteriores.
Como foi isto assim?, o primitivo curro ficou partido ao ser feita a cidade com a sua muralha.
Segundo esta marca no território, algária poderia ser uma palavra, topónimo, anterior ao contacto com a língua árabe.
O Bispo Sisnando no 968 é quem manda murar a cidade, e criar uma paliçada e fojos na sua volta, segunda estrutura defensiva que partiria  o curro da Algália.


Trás da Algária em Santa Marinha de Branhas (Toques), dando nome a uns terros que estão trás uma estrutura de cousso ou granja neolítica.



Algara de Vilapene (Cospeito).



Algara de Ordoeste (Avanha).


Algara de Vilar de Santos. Aqui a Algara faz parte de uma grande chousa.
Grandes chousas, estruturas que são explicadas no escrito: "Roma?"
A toponímia pecuária é evidenciável, começando polo bico norte: o Paço que tem a ver com pala, palatio paliçada. Para ressaltar também que na zona de Água Levada, também grafado Água Lavada, existe a fonte da Cachalgura, onde tal topónimo bem poderia ser cachalgara ou chachalgueira, fonte da algueira. Estes topónimos de fonte e água fazem pensar numa antiga captação de águas ou fontes derivadas para a parte sul da grande chousa para rega ou para que o gando beba.
Já no extremo sul: cachabuinho, que poderia ser percebido como capta-boi, mais explicado no escrito: "Búbelo?"
Ressaltar que algara significa cova, caverna.
A hipótese árabe como originária dos topónimos algar- pecuários, abala?
Na França, no norte em Gouzon (Limusino) existe o lugar Algarin que também é um curro pecuário:

Algarin, Gouzon (Limosino).
Algarieta, Viodos-Abense-de-Bas, (País Basco da França).

Algara / algar como cova, caverna é pensado ser também uma derivação do árabe لْغَار‎ (al-ḡār) "gruta" (tido por árabe marroquino).
Também está o hindu घर (ghara) com os significados de buraco, cova de animal, chabola, casa, habitação, moradia, palácio; pelo sânscrito गृह (grha) "casa, família, esposa..."

Ducange compila algardum / hangardum, locus tectus et undique apertus. Com parentes como hagha e hangardum com o mesmo significado. Podemos perceber que hangar e algar "cova" nascem da mesma raiz, e têm a ver com gardar (1)?
Hangardum poderia ser descodificada desde o céltico como *an-gardum " o gardo";  han- lembra o artigo determinativo céltico an / a, pronunciado /an/, /ən/, /ənˠ/ e /ə/.
De onde vem o artigo definido galego? Do latim? E não terá influência o substrato céltico?
Então as Algárias, Angárias e Angueiras, Algueiros, gareas... são a mesma antiga palavra em origem?


Angueira hoje desaparecida, engolida pola cidade, no atual bairro das Cancelas (Santiago de Compostela).

Anguera de L'Espluga de Francolí (Tarragona). Curro muito longo, em diagonal na imagem, com o topónimo no couce (parte superior) de Grevolosa (grevol, "azivro")


Anguieiro em Santa Maria dos Ángeles, antiga Santa Maria de Perra. Anguieiro de anguias, Anguieiro de ângulo, ou Anguieiro de hangar?

Nesta mesma linha etimológica que dá um pouco de luz sobre isto: a palavra garagem. Por exemplo garaigem no galego (antes da popularização da palavra garagem para guardar o carro de motor) deu nome ao alpendre. Com palavras da mesma raiz como garigolo ou garigonzinho.
A palavra garagem é pensada de origem basca: garatxe, mas também com o francês garer, no francês antigo warir com os cognados medievais galegos guarir, garir.
Mesmo na língua acádia transliterada: qaritu(m) é nome para um celeiro, um depósito do grão.

Este gurpo de palavras de guardar, dizem ser derivadas do frâncico warjan "defender".
*Alwarjian?
*Wara também transmite uma ideia de vara.
*Alwara, permitiria perceber a alvariça como lugar vedado por varas ou muro. *Alwara "alvar / algar" como primeira cova e parente dos lugares pecuários de nome algária ou algália.

Segundo isto *alwar daria topónimos de base algar, os curros pecuários que fôrom mostrados anteriormente, e poderia dar topónimos de base alvar- com a mesma estrutura pecuária?

Alvaredo em Fornillos de Aliste, (Zamora, Váceos) o curro pecuário tem ao seu carão polo lado sul uma longa cortinha. Em vermelho: o castro.

O topónimo Alvaredo descomporia-se em alvar-edo, onde alvar já transparente como vedação, no seu caso para guardar as colmeias, o mesmo que uma alvariça.
Então as palavras para as construções muradas defensivas das colmeias, os alvares ou alveares e as alvariças, podem ser percebidas na sua totalidade?
Alveiro é um chanto de vedação, um marco.
Alveiro é o mesmo que alteira uma chanta.
Haveria pois uma raiz *alwar com formas esperáveis como alvar-, algar- e alfar-:

Alfaro (Rioxa) o curro pecuário encontra-se numa mesa no lado sudeste da cidade, num lugar de fácil vedação.

Assim alvar como primária defensa (de um colmear), e algária como paliçada pecuária, poderia ter a ver com algar / algara "cova"; do mesmo jeito que cabana teria ver com cave, cavus, ou palatio com pala.
Mas como é que o primário refúgio cova, algar/algara, deu em movimento "algariar, algarear, algueirar"?
Isto mesmo pode ser observado em canfurna "cova" e canfurneiro "vadio".
Com o lexema alvar, parelho de algar,  entram no conceito os nomes do carvalho (Quercus robur) como alvarinho, alveirinho, alvorário, carvalho-alvar, que como foi visto noutros escritos o nome da árvore e o limite nascem do mesmo conceito neolítico de bordo entre o aro de cultura e o bosque primigénio. Bosque primigénio que ficou na sebe limitante.
Alvorário ajuda a perceber como o lexema alvar- dá nome ao cercado, do mesmo jeito que o carvalho-cerquinho, o cerquinho, também tem a ver com o encerrar territorial.
A ideia que vem, paleolítica também, onde a primária cova era temporária, e os grupos humanos ademais das covas ocupavam cafuas, cabanas, alboios, buscando a caça e o aproveitamento silvícola do terreno.
Algarv-, algarav- poderia estar ao lado do lexema garab- "pau" garaveto, garabulho...?

Assim alboio, albó como cabanotes também nascidos deste *alwar / *albhar como "guardar", alpendre está na mesma.

Então a hipótese é que o nome do primário refúgio cavernário: cova, pala, cala, furna, algar ....., derivou em dar nome a refúgios temporários habitacionais simples e aos seus elementos construtivos, palatios, cafuas, canfurnas, cabanas, choças, algárias, alboios, hangardi (locus tectus et undique apertus), também ao feito de vadiar ou andar sem rumo, canfurneiro, albouriar, avelear, algarear.
Os refúgios temporários acabaram sendo feitos no mesmo lugar sempre, como ponto obrigado geográfico de passagem e assentamento, (quem pastoreie, ou tenha pastoreado, pode saber que os animais seguem a mesma rota, os mesmos passos, deitam-se nos mesmos lugares; é apenas subirmos ao Barbança e vermos os carreiros que marcam, isto não é só nos animais irracionais, a gente peregrina em certa maneira, ainda que muito influídos pola cultura e os livros que trazem, acabam agindo e ocupando os mesmos espaços, sendo indivíduos distintos).
Esta continuidade várias vezes milenar no seguimento dos movimentos dos rebanhos de cavalos, zebros, uros, muflões, cabras, animais bravos e em manada, poderia explicar as palavras de lexema algar- com ideia de grupo, movimento ou mesmo de irritação, vozes.
Assim isto, sediado no estudo do lexema *alwar-, leva ao pensamento que a transição paleolítica-neolítica a respeito do pastoralismo não foi algo "inventado" ou brusco que trouxesse alguém avançado, e sim um processo que iria aparecendo por ano trás ano ir "vereando" um pouquinho mais, reconduzindo o rebanho selvagem a um val determinado, a um espaço tal onde o poder ter relativamente "controlado", sem necessidade de «andar de algarve» atrás dos animais nas suas rotas trasumantes naturais.

Então o mito fundacional da Europa como povo nascido da vida arredor do uro pode ser percebido?


https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fa/OldTraceSunken.jpg
Old Natchez Trace, Sunken Trace. Corredoira criada polo passo migrante dos bisontes durante milênios perto de Port Gibson (Mississípi).
Esta imagem e esta explicação pode complementar a palavra corredoira, órfã na ideia de que era para correrem pessoas ou carros..., apenas sendo se calhar: as antigas vias pecuárias naturais dos rebanhos selvagens, ou bravos "controlados", prévias à zorra de arraste ou à roda.
(
Algarve: barranco feito polas torrentes).







































ⴰⵍⴳⵓⵏ [algun], nome do sacho no bérber. Terá a ver com alvião?






















































































































































































No berber ⴳⵔⵡ [grw] occidente



جليقية





Fenício:
ag-gara algara?

The definite article was /ha-/ and the first consonant of the following word was doubled. It was written h, but in late Punic also ʼ and ʻ, due to the weakening and coalescence of the gutturals. Much as in Biblical Hebrew, the initial consonant of the article is dropped after the prepositions b-, l- and k; it could also be lost after various other particles and function words such the direct object marker ʼyt and the conjunction w- "and".


A hipótese de algar "cova" ir dar a algar/algária  paliçada pecuária:
Na mesma ideia que pala "cova" deu palatio, poderia ser que o algar primário "cova" também desse a algária "paliçada pecuária".
Uma ideia é que atendendo à genética da vaca rúbia galega ser africana, houvesse uma migração neolítica do norte da África que trougesse uns modos pastorias de grandes curros afunilados em lugares úmidos ou com auga, em volta dos quais se organizaria a vida e a sociedade.
Ou desde uma hipótese nostrática a algara / hangar foram disseminadas desde um lugar berço da palavra pelo resto da Eurásia?

Mas se isto assim for, este tipo de cultura ainda seria cavernícola?
Porque sobreviveu a palavra algar para a cova no galego, se nessa altura de revolução neolítica, a cova já teria perdido a sua relevância. Ou ainda não?
A cova mesmo podia ser artificialmente feita, como assim foi até o século passado na Islândia, onde a vivenda era uma cabana-cova.

http://yakeu.com/thumbs/photoproduction-in-iceland/traditional-houses/yakeu-locationscouting-traditionalhouses-iceland-1-1300-cb038c4ee60a.jpg
http://yakeu.com/photoproduction-in-iceland/traditional-houses




(1) O caso de hangar / algar e o seu suposto artigo:
Que o artigo céltico an / a e o semítico ال (al-) fossem confluentes, levaria-nos ao nostrático, ao final do paleolítico superior, ao 10.000 aC.
Onde *al-gar / *an-gar seriam a mesma cousa, um pendelho, uma cabana, talvez fixa, pois o acampamento de populações nómades seria nos mesmos lugares viagem trás viagem.

No romeno o artigo vai no final da palavra. Por que razão no galego o artigo e a marca de género gramatical coincidem?
O neno: băiat-ul.
O nen-o, tautológico?





Old Frankish *haimgard (“fence around a group of houses”), from *haim (“home, village, hamlet”) + *gard (“yard”). Cognate with Old High German heimgart (“forum”).

Confronte-se com topónimos do tipo Angueira ou Anguieiro, confronte-se com ancrusa "coruja", angrova "grova".














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