Agruchave na freguesia de Santa Maria de Donramiro (Lalim).
Agruchave faz parte de uma estrutura, no blogue repetidamente mostrada, que é um cousso, talvez evolucionado a granja (neolítica):
A toponímia pode observa-se que é condizente com a estrutura:
Com nomes como Cima da Regueira, sendo hipoteticamente regueira o rego, o fosso, externo ao valo que encerra a grande tapada.
Trás-do-Curro, sendo o curro: o cousso ancestral.
Puça do Barros, pode ter sido um poço de captura de animais no final do cousso. Barros não só é a terra argilosa, pode ter a ver com barra, barreira da passagem.
Sobre da Cerca, não necessita muita explicação. a cerca envolvente, o valo que encerra o cousso.
Estivadas Velhas, uma estivada é uma terra de cultura do cereal por roça, mas também uma estivada é o valo de terrões, também chamado estiva.
Relevante é o nome de Paço e a sua localização, co o noutros casos mostrados no blogue, este topónimo apresenta uma continuidade desde o palatio, paliçada, até o paço atual. um continuum que vai do local privativo e principal da caça, até o paço, casa principal de uma família terratenente.
Agruchave, semelha uma ligação entre agro e chave. Mas pode ser que o aparentemente evidente esteja a mostrar sem muito véu uma ancestralidade:
Agro nesta estrutura pode ser interpretado no seu significado ancestral, não apenas no atual de terreo agrícola:
Assim o protoindo-europeu raiz de agro, latim ager, *h₂éǵros "prado, campo" está formado pola raiz *h₂eǵ- "conduzir".
Entende-se então que esta paisagem explica as relações etimológicas, já que os animais caçáveis de rebanho, no final do Paleolítico, posteriormente pastoreados na neolitização, eram conduzidos, acurrados, para o cousso inicial, onde eram caçados, ou capturados; com o decorrer do tempo e o início da domesticação, os animais eram dirigidos para essa mesma zona, onde havia boa pastagem. Cousso paleolítico que virou em tapada neolítica:
Assim o *h₂éǵros paleolítico foi um inicial "lugar de condução" para posteriormente no neolítico virar em "pastagem, campo", pois o cousso de caça (depois tapada ao lhe ser fechada a boca) é um lugar que encerra uma terra que atrai o rebanho herbívoro, onde há água, uma nascente, um erval.
Confronte-se com o grego antigo ᾰ̓́γρᾱ (ắgrā) "caça, captura, perseguição, aquilo que é caçado".
Confronte-se com o verbo latino aggero "transportar, levar para um lugar".
Esta estrutura de caça ou tapada explicaria a aparente duplicidade no latim entre ager "campo" e agger "valado, valo de terra"?
O segundo elemento de Agru-chave, chave, desde uma etimologia latinista:
Poderia derivar de clavis "chave", de um protoindo-europeu *kleh₂w- "prego, alfinete, gancho".
Poderia derivar de clavus "prego, cravo" de um protoindo-europeu *kleh₂w- "capaz de fechar alguma cousa".
Poderia derivar de clava "clava, cacete", de um protoindo-europeu *kelh₂- "bater, quebrar".
O cravo latino clavus *klāwos, e o "cadeado, ferrolho" proto-céltico *klāwo teriam uma raiz comum, com a ideia de fecho e fechar.
Do proto-céltico matasóvico *klāwo, há as formas gaélicas cló "cavilha, caravilha, prego", o galês clo "cadeado, impedimento; freio travão" (confronte-se com o galego choio "paus, travões, para frear o moinho"); o bretão klao "aparelho, charrua, chave".
Confronte-se com os verbos choer / chouver / choir / chouvir.
Confronte-se com o francês antigo clos "área fechada por muro, valo, sebe, fosso", que é feito provir do latim clausus, e atendendo a este fio poderia ser de um hipotético gaulês, do proto-céltico *klāwo.
Então igualmente que no caso de agro *h₂éǵros, a hipotética raiz protoindo-europeia, neste caso mais concretamente proto-céltica e proto-itálica *klāwo, explicaria o segundo lexema de Agruchave.
Ficando uma raiz tal que: *h₂éǵros-klāwi "lugar de condução do encerramento / pastagem do cerrado".
Outras hipóteses publicadas para explicar Agruchave derivariam-no de ager flavi "campo flavo, amarelo".
Para a antroponímia, Agruchave derivaria de Ager Flavii, "Campo de Flávio".
O Agrochaíl de São Cosme de Pinheiro (Cedeira):
Aqui pode ser observada a toponímia já analisada como: Beco no beco norte, Vinha de Paços, a semelhança do Paço de Donfreão ocupando um outro beco, neste caso o sul; Tarreo do Muro, como possível cerrado da boca de entrada. E o Corveiral.
Agrochaíl seguindo a base protoindo-europeia de Agruchave *h₂éǵros-klāwo, seria um *h₂éǵros-klāwo-elis, sendo *-elis (latim -ilis) um sufixo adjetivador ou de relação.